30 de dez de 2010

Filme: Um quarto em Roma


Em um quarto, por 12 horas, duas mulheres vivem momentos de prazer, paixão, confissões e intimidade. Deixam-se levar uma no terreno desconhecido da outra, até se descobrirem nesse curto período um Amor completamente novo. Filme sensível, delicado, doce e envolvente.
Não é um filme sobre certezas, mas sobre dúvidas. Sobre duas almas que buscam, na noite final, um sentimento de libertação. 
Me fez pensar sobre como em tão pouco tempo, duas pessoas podem atingir tanta cumplicidade, afeição e necessidade. Acredito piamente nessa possibilidade, não é só em filmes que isso pode acontecer, mas é um encontro raro. Infelizmente!
Pensei também se o Amor não é feito apenas de um momento e depois tudo acaba, uma ilusão grandiosa, ou se é o maior de todos os presentes de Deus.
É um belo filme!
Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Dei de achar que mereço ser amada.

23 de dez de 2010


Sou uma louca. Admiro grandes qualidades. Mas gosto mesmo dos pequenos defeitos. São eles que nos fazem grande. Que nos fazem fortes. Que nos fazem acordar. Acho bonito quem tem orgulho de ser gente. Porque não é nada fácil, eu sei.

10 de dez de 2010

Beijo bom é beijo decidido, mesmo que a decisão seja levá-lo devagar ao longe.

Beijo bom é beijo molhado, em que os beijadores doam tudo o que há para doar na cavidade bucal, sem assepsia, entrega absoluta.

Beijo bom é beijo sem pressa, que não foi condenado pelos ponteiros do relógio, que se perde em labirintos escuros já que, é bom lembrar, estamos de olhos fechados.

Beijo bom é beijo que você não consegue interromper nem que quisesse.

Beijo bom é beijo que não permite que seu pensamento tome forma e voe para outro lugar.

E, por fim, beijo bom é o beijo que está sendo dado na pessoa por quem você é completamente apaixonada.

Existe beijo ruim? Existe. Beijo sem alma, beijo educado demais, beijo cheio de cuidados, beijo curto, beijo seco. Mas uma coisa é certa: precisa dois para torná-lo frio ou torná-lo quente. Todo mundo pode beijar bem, basta nossa boca encontrar com quem.

(Martha Medeiros)

29 de out de 2010

Teu olhar

Teu olhar quando me chama possui a força de um laço e sempre quando me encontra imanta e rege meus passos.

25 de out de 2010

26 de set de 2010

Nosso lar

Gosto da doutrina espírita, mas não ouso dizer que sou uma porque não sou praticante... porém, nosso lar é clichê e tem diálogos chatos. Não vale o ingresso, nem o tempo. Não justifica a verba gasta, o Brasil tem muitos filmes melhores.

24 de set de 2010

“A vida é muito bonita,
basta um beijo
e a delicada engrenagem movimenta-se,
uma necessidade cósmica nos protege.”

Adélia Prado

23 de set de 2010

Eleições 2010


Todos reclamando da falta de opções ou do tema, mas para onde se vai ou se ler, é o assunto de maior discussão e discursão tb, em nosso país, e que bom!
Eis algumas questões pessoais, e porque defendo ou não a minha opinião, a candidata Marina Silva, até tem um pouco da minha simpatia, mas pessoalmente não acredito que esteja preparada pra governar o nosso país, segundo porque, ela é evangélica, isso ja é motivo de sobra para o meu não voto. Preconceito? Não. Marina Silva tem uma forte influencia religiosa, em suas decisões políticas, tais como, o não incentivo a pesquisas de células-tronco, e outras questões essenciais pra mim, como a união civil de homossexuais. E saio um pouco do contexto "político" para explicar que quando se fala de um casamento assim, não é um capricho e nem um ato religioso, pra confrontar famílias e igrejas, e sim para o direito civil de igualdade. Por exemplo, em uma união gay, se uma das pessoas tem um plano de saúde e pode extender tal benefício a (ao) sua (seu) parceira (o), isso ainda não é permitido no Brasil, fora tantos outros direitos civis. Portanto, não adianta ir casar na Argentina, só serveria para ilustrar um álbum de fotos.
Quem votar na Marina Silva, estará votando indiretamente no candidato José Serra, e lhe dando a chance de tomar um fôlego e ir pra um segundo turno, já que ela naõ tem a mínima chance, e que bom que não!
Portanto, é da minha vontade que a candidata Dilma assuma essa presidência, de preferência no primeiro turno, primeiro, porque é candidata do PT, que ganhou a minha confiança pelo crescimento e melhoras significativas e inegáveis, segundo porque ao ser questionada sobre as questões que eu levantei, defende que como cidadãos os gays merecem os mesmos direitos que existe em uma união heterossexual.

Quero ver o nosso país crescer, em todos os sentidos, e um dia quem sabe sentir orgulho ao dizer: sou brasileira!

20 de set de 2010

Sigo à risca. Me descuido e vou...
Quebro a cara. Quebro o coração.
Tropeço em mim. Me atolo nos cinco sentidos.
Viver não é perigoso? Então, com sua licença!

João Guimarães Rosa

16 de set de 2010

Frequenta o abandono quem vive um quase namoro, fantasia reciprocidade, aceita abraço frouxo, conversa sem olho no olho, ausência de carícia.

Frequenta o abandono quem vê na recusa uma possibilidade de mudança ignorando os sinais óbvios da distância.

Frequenta o abandono quem não reconhece que ser bem tratada não é um mérito, mas uma condição e chama migalha de banquete.

Frequenta o abandono com assiduidade quem se contenta com tão pouco que o outro para mantê-la pode dar cada vez menos...

Marla de Queiroz
Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto."

Caio Fernando Abreu

10 de set de 2010


“Se o criado-mudo falasse, provavelmente seria o maior contador de histórias de que se tem notícia bom, nesse caso, para início de conversa, ele teria que trocar de nome. E o que dizer daquele sofá velho, meio afundadinho em uma das extremidades, que denuncia de imediato qual o seu canto preferido de se esparramar? Não dá nem para pensar em trocá-lo, até porque nenhum será tão confortável e aconchegante quanto ele.

O que, afinal, faz com que as coisas tenham tanto valor para nós? Bem, esqueça o dinheiro. Um objeto de alto valor no mercado pode não dizer absolutamente nada para você. Esta afirmação foi provada pelo professor de psicologia e educação na Universidade de Chicago Mihaly Csikszentmihalyi . Ele visitou 80 famílias americanas e perguntou o que era mais importante para cada uma delas dentro de casa. A grande maioria não indicou nada de alto valor monetário. Era sempre algo de valor afetivo: a cadeira de balanço que foi do avô, a colherzinha da infância, a mesa de estudos da adolescência. Os artefatos têm participação ativa no cotidiano. Eles organizam práticas sociais, influenciam comportamentos, incorporam metas e se tornam inseparáveis daquilo que somos, afirma. Isso significa que as coisas têm vida social, são palco de nossas experiências e, sim, são impregnadas de emoções.
Nós fazemos questão de guardar aquilo que realmente nos importa. Isso pode acontecer quando um objeto nos lembra alguém especial, como a cadeira de balanço do vovô, que remete à lembrança do próprio vovô ali, ainda presente dentro de casa. Ou quando ele nos remete a um lugar que merece ser lembrado, como aquela recordação de uma viagem feita com seu melhor amigo. E ainda se o objeto tem a ver com nossos valores, com o que pensamos.”

Texto de Mariana Sgarioni – Revista Vida Simples

4 de set de 2010

DUAS BOLAS, POR FAVOR

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.

Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.

Um dia...

Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate...

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.


Danuza Leão

2 de set de 2010


Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos

Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez

Já sonhamos juntos semeando as canções no vento

Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar

Já choramos muito, muitos se perderam no caminho

Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer

Sol de primavera abre as janelas do meu peito

a lição sabemos de cor

só nos resta aprender...



Sol de Primavera (Beto Guedes)

31 de ago de 2010

- Você acha que o nosso amor pode fazer milagres?

- Eu acho que o nosso amor pode fazer tudo aquilo que quisermos.

- É isso que te traz de volta pra mim o tempo todo.


C.F.A.

Ahhh o amor...


O amor tem o poder de transformar o que é desconcertante em intimidade. Torna o que é bobo, sagrado.

25 de ago de 2010

17 de ago de 2010

Até o momento, todos os posts foram pessoais, mas não com as minhas palavras, e hoje me deu vontade de escrever. Tava refletindo sobre o poder da música sobre mim.
Tudo começou na infância, os meus pais sempre adoraram músicas também e eu ficava ouvindo as músicas que a minha mãe cantava pra embalar a minha irmã, e acabava sendo canções de ninar pra mim também. Nesse oportunismo musical sempre ouvia Roberto Carlos, Maria Bethania e Chico Buarque... bom, deviam ter outras coisas também, mas esses eram os discos em vinil que mais tocavam em nossa vitrola.
Comecei a trabalhar na adolescência e o meu modesto salário era empregado boa parte em algum disco, me sentia muito feliz ao receber o salário e poder ir em uma loja escolher algo novo pra ouvir, era um dos motivos que me faziam trabalhar com prazer.
De lá pra cá, o meu gosto musical mudou e variou diversas vezes.... afinal, eu também tenho fases como a lua... me lembro dessas músicas como uma trilha sonora da minha vida, nelas me pego lembrando de momentos bons e outros não tão bons assim. A música também segurou várias vezes a minha mão quando eu precisava de força e me confortou outras vezes quando a força falhou.
Até hoje espero com ansiedade as próximas letras de alguns compositores que eu adoro, e ainda me maravilho com alguns intérpretes cantando uma letra que não foram feitas por eles, assim como os meus posts anteriores, mas são cantadas com tanta emoção e não importam que não sejam suas, me deleito da mesma forma, e deixo que entrem também em minha história.

PV

13 de ago de 2010

12 de ago de 2010


"Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor."

Caio Fernando Abreu

11 de ago de 2010

Você tem medo de quê?


"Eu não tenho medo do amor.
Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele.

Amar quem teme o amor é como se apaixonar por

uma sucessão de desistências."

Marla de Queiroz

10 de ago de 2010



Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia, e mesmo assim insisto.

Caio Fernando Abreu

Assombros

 
Às vezes, pequenos grandes terremotos

ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam

alquebrados sentimentos.


Entre as vértebras e as costelas

há vários esmagamentos.


Os mais íntimos

já me viram remexendo escombros.

Em mim há algo imóvel e soterrado

em permanente assombro.
 
Affonso Romano de Sant'Anna 

 

Que se há de fazer?


"Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer."

Caio Fernando Abreu